sexta-feira, 13 de julho de 2018

Pintura Anos 90



Pintura Anos 70


Pintura Anos 60





Pintura - Anos 80


"Natureza Morta com Candeeiro a Petróleo"

1979/ Óleo s/madeira/ 43x60cm

"Natureza Morta com Pincel"

1984/ Aguarela s/papel/ 31x44cm

"The Judge"

19-04-1969/ Óleo s/tela/ 65x49cm

sexta-feira, 6 de abril de 2018

CURRÍCULO


CURRÍCULO
Michael Nicholas Barrett
Pintor

MICHAEL NICHOLAS BARRETT
Filho de Dorothy Alice Barrett
Nasceu em Paris a 13.02.1926
1961 • Casado com Marie Louise Forsberg Barrett (Sueca)
Filho: João Nicolau F. Barrett (21.08.1961)
Filha: Teresa Cristina F. Barrett (15.10.1963)

Expõe Individualmente 
1954 - Sociedade da Propaganda de Cascais
1967 - S.N.BA, Lisboa
1968 - Hotel Flórida, Lisboa
1969 - Cine S. José, Cascais
1970 - Galeria do Diário de Notícias, Lisboa Galeria da Junta de Turismo da Costa do Sol Galeria do Casino Estoril
1971 - Galeria do Casino Estoril; Galeria A Gruta, Cascais
1972 - Galeria de Arte Moderna Littie Tree, Cascais; Palácio Foz, Restauradores, Lisboa
1976 - Galeria A Grade, Aveiro; Pizerrie, Paris
1978 - Galeria A Grade, Aveiro; Galeria 1° de Janeiro, Coimbra
1979 - Junta de Turismo da Costa do Sol
1982 - Galeria A Grade, Aveiro
1983 - Galeria das Termas do Luso
1984 - Galeria A Grade, Aveiro
1986 - Retratos Polémicos do Fernando / Imagens do Impossível, na CROVAM, Ílhavo; Retratos Polémicos do Fernando / Imagens do Impossível, Galeria A Grade, Aveiro
1987 - Galeria Roca, Marinha Grande
1988 - Retrospectiva - 35 anos de Pintura, Hotel Meridian, Lisboa; Galeria Séc. XVII, Leiria
1990 - Galeria Cris-Shop, Coimbra; Galeria Séc. XVII, Leiria; Galeria Augusto Pereira, Moníemoro-o-Velho
1991 - From Buarcos with love, Galeria do Casino da Figueira da Foz; From Buarcos with love, Galeria do Hotel Imperial, Aveiro; Galeria Be/o-Be/o, Braga
1992 - Galeria Séc. XVII, Leiria
1993 - Cooperativa Grão a Grão, Figueira da Foz
1994 - Retrospectiva dos 40 anos de pintura A.P. - Centro de Arte (Revista Artes Plásticas), Lisboa; 40 anos de pintura, Galeria A Grade, Aveiro; 40 anos de pintura, Galeria Séc, XVI, Leiria; 40 anos de pintura, Leiria; O Rastro, Figueira da Foz
40 anos de pintura, Museu Dr. Santos Rocha, Figueira da Foz; 40 anos de pintura, Polimol, Aveiro; 40 anos de pintura, A. Fontes, Lda., Aveiro; 40 anos de pintura, Moldartis, Aveiro; 40 anos de pintura, Esquina Viva, Aveiro; 40 anos de pintura, Enquadrar, Aveiro; 40 anos de pintura, Galeria A Margem, Águeda; 40 anos de pintura, Galeria/Bar do Hotel Imperial, Aveiro; 40 anos de pintura, Galeria do Casino, Fig. da Foz; Do Infante ao Pessoa - 500 anos de Barrett, Galeria A Grade, Aveiro
1998 - Do Infante ao Pessoa - 500 anos de Barrett, Galeria Campo Fiorito, Niterói, Rio de Janeiro
2001 - Galeria Sacramento, Aveiro

Expõe Colectivamente 
1955 - Sociedade da Propaganda de Cascais 
1957 - Jardim 57, Cascais
1964 - Banco Borges & Irmão, Cascais; Cooperativa Árvore, Porto (desenho); Salão de Desenho e Gravura na Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa
1965 - Secretariado Nacional de Informação, Lisboa (dois trabalhos aceites); Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa (com Vitor Belém)
1966 - Galeria Comercial Hotel Estoril Sol Luisiana Jazz Clube
1967 - Encontro, Cascais
1968 - Bruxelas, Lisboa e Bruxelas XIV Salão de Outono da J.T.C.S.
1969 - Galeria da J.T.C.S.; Galeria 48, Lisboa; XVI Salão de Primavera da J.T.C.S. (dois trabalhos aceites); VII Salão de Arte Moderna, J.TC.S. (um trabalho aceite); V Salão Motivos da Costa do Sol, Galeria do Casino Estoril (dois trabalhos aceites); 
1970 - 4-B, Cristal, Cascais; Galeria Yela, Lisboa; Salão Luso-Espanhol, Embaixada de Espanha (um trabalho aceite); l Exposição Estoril-Arte, Parque do Estoril; Restaurante Estribinho, Cascais;
1971 - Vários trabalhos na Matur, Madeira; Galeria da J.T.C.S.; Salão do Círculo Luso-Espanhol, Sintra (cinco trabalhos aceites); XVI Salão de Primavera, J.T.C.S.; Salão de Outono da J.T.C.S. (dois trabalhos aceites)
1973 - Grupo 5, no Casino Estoril
1974 - Grupo 5, no Casino Estoril
1977 - Exposição Internacional de Arte, Estoril; I Colectiva de Dezembro, Galeria A Grade, Aveiro
1979 - Galeria Peninsular, Casino da Figueira da Foz; II Colectiva de Dezembro, Galeria A Grade, Aveiro
1980 - III Colectiva de Dezembro, Galeria A Grade, Aveiro
1981 - IV Colectiva de Dezembro, Galeria A Grade, Aveiro
1982 - V Colectiva de Dezembro, Galeria A Grade, Aveiro
1983 - VI Colectiva de Dezembro, Galeria A Grade. Aveiro
1984 - VII Colectiva de Dezembro, Gateria-4 Grade, Aveiro
1985 - I Mostra de Arte Contemporânea Portuguesa, Rio de Janeiro
VIII Colectiva de Dezembro, Galeria A Grade, Aveiro
1986 - La Pub, Figueira da Foz
IX Colectiva de Dezembro, Galeria-A Grade, Aveiro
1987 - X Colectiva de Dezembro, Galeria A Grade, Aveiro
1988 - XI Colectiva de Dezembro, Galeria A Grade, Aveiro
1989 - XII Colectiva de Dezembro, Galeria A Grade, Aveiro
1990 - Galeria Séc. XII, Leiria
XIII Colectiva de Dezembro, Galeria A Grade, Aveiro
1991 - Galeria do Casino da Figueira da Foz
1992 - XIV Colectiva de Dezembro, Galeria/A Grade, Aveiro
1993 - XV Colectiva de Dezembro, Galeria A Grade, Aveiro Galeria do Casino da Figueira da Foz; 20° Aniversário da Galeria A Grade, Aveiro
1994 - Ressurreição da Natureza morta II, Galeria A Grade, Aveiro; Colectiva de Pintura e Escultura, Galeria A Grade, Aveiro
1995 - Galeria Samora Barros, Albufeira; Galeria da Má Língua, Centro de Arte de Buarcos
1996 - Galeria da Má Língua Centro de Arte de Buarcos; Galeria A Grade, Aveiro; Feira de Arte, Miranda do Corvo; Hotel Almansor, Algarve; Hotel Mercure, Figueira da Foz; Câmara Municipal de Penela; Galeria Casino Peninsular, Figueira da Foz; Pousada de S. Miguel, Sousel; Galeria Sec. XVII, Leiria; I Bienal de Arte, Marinha Grande; I Encontro de Arte, Mesão Frio
1997 - Galeria da Má Língua Centro de Arte de Buarcos; Pousada dos Lóios, Évora; Galeria Grão a Grão, Figueira da Foz; Galeria A Grade, Aveiro; Galeria Átrio, Vila Real; Câmara Municipal, Gois; Museu Municipal, Figueira da Foz
1998 - Arte Contemporânea, Galeria do Casino Estoril; Niterói, Brasil; Funchal, Madeira; Colectiva "Revolução/Evolução"; Galeria da Má Língua Centro de Arte de Buarcos; Galeria Augusto Pereira, Montemor-o-Velho/Exposição Inaugural; Exposição Comemorativa dos 500 anos do descobrimento do Brasil, S. José dos Pinhais, Panamá,
Brasil
2000 - Terra Brasilis, 500 anos de Brasil; XXII Colectiva de Dezembro, Galeria Sacramento, Aveiro;
2001      XXIII Colectiva de Dezembro, Galeria Sacramento, Aveiro;
2002      XXIV Colectiva de Dezembro, Galeria Sacramento, Aveiro
2003      XXV Colectiva de Dezembro, Galeria Sacramento, Aveiro

Prémios
1968 - 2° Prémio (ex-aequo) no XIV Salão de Outono da J.T.C.S. 
1971 - 1° Prémio de Pintura no Salão de Outono da J.T.C.S. 
1985 - 1º Prémio no VI Salão de Outono do Casino Estoril

Está representado nos Museus de Aveiro e Figueira da Foz, e em várias colecções particulares e oficiais por quase todo o mundo.

Faleceu a 6 de Maio de 2004. Repousa no Cemitério da Guia em Cascais.

Anos 50



Retrato Rosa Sílvia Capote

1984/ Acrílico s/tela/ 90x70cm

Os retratos de Rosa Sílvia. Há neles impressa, em tons diferentes, a amizade que liga o artista à retratada. É uma relação cerimoniosa e quase distante, razão porque, nas referidas obras, foi usado  o rigor formal e cromático. A atenção privilegiou a composição e são meditados os termos empregues. Rosa Silva é vista e dada com ausência, motivo porque a fase obtida se queda inabordável como um mito em seu hermetismo onde o registo psíquico se fica pela sugestão.

Edgardo Xavier
Crítico de Arte - Julho/94

Retrato Nuno Sacramento

04-07-1981/ Acrílico s/tela/ 47x34cm

Auto-Retrato

Luso 19-06-83/ Desenho com esferográfica s/ papel/ 30x21cm

(...) no fundo, quem sou eu?... Quem sou eu, senão um SER atormentado, como todos os homens, que não quer senão pintar, que só não é medíocre, pintando? Quem sou eu, senão alguém que sonha com dias cada vez melhores, para ele, para a sua família e amigos e para a sua pintura, a sua maneira de falar, de comunicar e de estar na vida? No fundo, quem sou eu? (...)

Michael Barrett
Pintor - Julho/94

Teresa Barrett

1973/ Óleo s/platex/ 65x64cm

Michael Barrett é uma referência da arte portuguesa do século XX. Foram várias as exposições individuais que realizou, colectivas em que participou, foram vários os prémios que recebeu e está representado nos Museus de Aveiro e Figueira da Foz.
Michael Barrett sempre fugiu dos padrões convencionais, academismos da moda, sempre foi um artista que tentou fugir desses padrões. No entanto, a sua obra revela, de alguma forma, a influência de alguns pintores e foi realmente Matisse em quem ele se apoiou e quem mais admirou e era junto da obra de Matisse que ele encontrava o equilíbrio necessário para a realização da sua obra.

Ana Redondo
Administradora da Figueira Grande Turismo

Retrato José Sacramento

Ílhavo 27-10-1978/ Acrílico s/tela/ 100x81cm

Estupenda peça, em tons de amarelo, na qual Michael Barrett traduz um amigo para ele importante. Trata-se de José Sacramento, o homem a quem confiou a divulgação da sua arte. Tranquilidade e energia dimanam a figura grava, construída com a serenidade de leão saciado, imponente e austera. Sobrolho fechado e braços cruzados, num todo jovial e robusto apresenta-nos características que o pintor pretendeu importantes em juízo de uma maior fidelidade ao aspecto do seu «marchand». Repara-se que neste retrato, Barrett controlou, cuidadosamente, a impulsividade que lhe é tão peculiar. Foi amável e deferente. É facto que José Sacramento, encarnando a confiança e o respeito, induz sobejas razões para a meditação deste quadro que acreditamos ser de grande qualidade.

Edgardo Xavier
Crítico de Arte - Julho/94

Retrato do Pintor Mário Silva

1986/ Acrílico s/tela/ 90x70cm


Falar do Michael é difícil! Porque para mim ele era um super amigo, um super homem e um super pintor. A sua obra caracteriza-se pela grande expressão que teve em captar com todo o sentimento e realismo o mundo que o rodeou.
Pintou peixeiras, mendigos, o mar, paisagens, naturezas mortas e tudo aquilo que o inspirava. Michael para mim, é sobretudo o sentido da cor, que nele é extremamente dinâmico.

Mário Silva
Pintor

"Mandarim Ocidental, António Menano"

1993/ Acrílico s/tela/ 70x60cm

De vez em quando "sonha" com o Oriente, aproxima-se da Terra do dragão, do império do meio, ressonâncias de contactos de interposta pessoa, ou directos. Deste "diálogo" aparecem o "Retrato de miss Lee", belas aguarelas sobre a Baía da Praia Grande, frutos e cerâmicas orientais, e acrílicos vários como "Mandarim Oriental", "Pessoa à hora do chá" e "Cuelli", etc. Referência ao enigma, ao exótico sublimado e sublinhado pelo sonho. 

António Augusto Menano
Poeta, Escritor e Pintor

Trouxe-o Comigo

1998/ Acrílico s/tela/ 195x114cm

EU, MICHAEL

EU, MICHAEL
Michael Barrett
1994

"... no fundo, quem sou eu?... Quem sou eu, senão um SER atormentado, como todos os homens, que não quer senão pintar, que só não é medíocre, pintando? Quem sou eu, senão alguém que sonha com dias cada vez melhores, para ele, para a sua família e amigos e para a sua pintura, a sua maneira de falar, de comunicar e de estar na vida? No fundo, quem sou eu?.,." O meu nome é Barrett. Michael Barrett. 
Nasci em Paris em 1925, fruto da união de uma senhora inglesa com um senhor francês, que nunca cheguei a conhecer, facto que me marcou e influenciou o meu comportamento, a minha personalidade e até a minha pintura. 
Aos 8 anos encontrava-me em Barcelona, acompanhado por minha mãe e avó, quando eclodiu a guerra civil de Espanha. Passado algum tempo mudámo-nos para Seats, perto de Barcelona, e a guerra encontrava-se no auge. Fomos evacuados por um navio de guerra inglês e levados até Marselha. Lá, por decisão materna, embarcados para Portugal num navio holandês.
Vivemos em Lisboa, depois no Estoril, depois em Cascais e finalmente em Buarcos (Figueira da Foz), onde resido actualmente.
Tinha, pois, 9 anos quando cheguei a Portugal, sem saber uma palavra de português! Como não gostava de ficar em casa - para grande desgosto de minha mãe - fui-me habituando aos miúdos do bairro, pelo que posso afirmar que a minha base cultural da língua portuguesa foi a rua! 
Mais tarde estive no "Julian School" durante quatro anos e meio, mas como fui sempre um péssimo aluno, a minha mãe resolveu tirar-me de lá, tendo-me arranjado um professor particular que me ensinava o português, matemática, geografia, história, etc.. Tive portanto uma educação formal muito limitada, e até aos vinte anos pouco mais fui do que um "playboy", na Costa do Estoril. Nessa altura comecei a trabalhar numa companhia, como intérprete; depois fui tradutor, por uns meses, na TWA; mais tarde, caixeiro viajante, tendo-se seguido vários outros empregos temporários, até que trabalhei numa firma distribuidora de filmes, onde fui friamente explorado, tendo-me então decidido a nunca mais ter patrões! 
Um dia, numa conversa de café, um amigo de Cascais - o arq. Gil Graça - sugeriu-me que dedicasse os meus tempos livres a pintar, e dispôs-se mesmo a arranjar-me um bloco, uns lápis e umas tintas. Eu que me considerava uma nulidade em matéria de arte - devido à "falta de jeito para o desenho, que me obrigava, quando aluno do colégio St. Julian" a pedir ajuda aos meus colegas - achei a ideia absurda e nunca mais voltei a pensar no assunto. Alguns dias depois, cumprida a promessa que me fizera, o arq. Gil Graça, apareceu em minha casa munido do material indispensável à pintura e para meu espanto, algumas semanas mais tarde, já me encontrava a trabalhar numa aguarela, em frente à baía de Cascais e - assombro! -não me estava a sair tão mal como isso!... Foi o princípio da minha "viagem" à descoberta da pintura, de mim mesmo e dos outros.
Mas, a vida continuou a desenrolar-se, paralelamente às minhas descobertas no campo artístico e, algum tempo depois de ter conhecido uma senhora sueca, casávamo-nos; tempo depois a família aumentou com o nascimento do Niki - João Nicolau - e finalmente com a vinda da Teresa Cristina. Apesar de nem eu nem a minha esposa possuirmos nacionalidade portuguesa, ambos o éramos por opção. Apesar de estrangeiros, os nossos filhos viveram e cresceram aqui e hoje são portugueses de nascimento e de coração. À parte de alguns interregnos mais ou menos involuntários e a par com o desenvolvimento e crescimento da família, evoluía a minha pintura e se no início eu era "uma pessoa que pinta" hoje sinto-me pintor.

Portugal Minha Pátria

1997/ Acrílico s/tela/ 115x195cm

quinta-feira, 5 de abril de 2018

"A Última Ceia"

1981/ Acrílico s/tela/ 110x200cm

"Trapiches da Costa Nova"

1997/ Acrílico s/tela/ 81x100cm


Michael Barrett foi um criador de humanidades: literárias e populares. Literárias criou Fernando Pessoa; populares: os homens e mulheres de Buarcos. Sem essas humanidades não havia a arte de Michael Barrett. Digo que o considero um expressionista naife, porque o situo e situo a sua obra plástica entre um pólo expressionista e os momentos de puro impressionismo que ele também contém em alguns dos seus quadros, nomeadamente, o belo quadro: Os Trapiches da Costa Nova.

Tomás Parreira
Poeta e Crítico de Arte

"Miúdos"

1977/ Aguarela s/papel/ 31x48cm

Rua de Vila Verde

1995/ Pastel de óleo e tinta da china s/papel/ 30x41cm

Casa de Michael Barrett (Celeste Albardeira)

2003/ Aguarela s/papel/ 30x40cm


Viveu aqui em Vila Verde com a mulher a quem fazia companhia mas, com quem tinha um relacionamento muito difícil. Depois de ela morrer, morreu uma parte dele! Michael Barrett foi morrendo aos poucos. Morreu a mulher e morreu uma parte dele. Morreu a cadela e foi outra parte. Morreram os gatos e ficou sozinho. Foi morrendo tudo e depois morreu o Michael.

Gabriel Grácio
Amigo

sexta-feira, 16 de março de 2018

"No café em Buarcos"

1999/ Acrílico s/tela/ 81x100cm

AMIGOS PARA SEMPRE

Conhecemo-nos em 74. Logo a seguir ao 25 de Abril. Apresentou-nos o pintor Júlio Gouveia. Na feira de artesanato de Cascais num sábado cheio de sol. Estava em tronco nu com um copo de vinho na mão e a comer. 
E foi assim toda a sua vida. Uma vez perguntei-lhe: Michael, a tua vida é comer e pintar, a tua vida resume-se nisso, mais em comer ou pintar?
Mais em comer, respondeu ele a sorrir, malicioso no olhar, como ele às vezes fazia!
Michael vivia em função destas duas necessidades, para ele fundamentais. Adorava pintar e adorava comer! 
Na realidade ele não sabia fazer mais nada na vida a não ser isto e, fazia-o muito bem!
Pintar era para ele tão vital e tão necessário como respirar. Estava-lhe no sangue, estava-lhe na alma! 
Era visceral. Pintava exaustivamente sempre com o maior prazer que o acto de criar lhe proporcionava. Caso curioso, pintava sempre com a mão direita e comia com a esquerda. 
Nunca ligou nada à sua carreira profissional nem nunca se preocupou com a sua imagem nem com a sua promoção artística. Foi sempre muito simples e sem preconceitos de espécie alguma. Muito descontraído, fazia e conquistava amigos á primeira vista! Mas, individualistas por natureza, gostava mais de receber do que oferecer, sendo por vezes, até, um tanto egoísta.
Para ele tudo estava bem, o que era importante era viver o dia a dia. Sem grandes preocupações nem responsabilidades. Chegou mesmo a recusar alguns bons contratos que lhe dariam paz e tranquilidade económica mas, ele sempre os recusava. Nunca se quis profissionalizar nem nunca o vi zangado com ninguém.
Às vezes queixava-se mas, era quando tinha alguma "encomenda" que não lhe agradava muito pintar mas, dava-lhe jeito para o sustento da família.
Nunca foi rico nem apegado a coisas supérfluas mas, gostava de oferecer flores às senhoras.
Era rico de espírito, de vivências, de amizades, a todos tratava por tu desde a primeira hora. Adorava a noite e beber um copo com os amigos.
Sempre o conheci de pêra e bigode quichotescos que manteve toda a vida bem como um cabelo prateado e comprido. 
Simpático e com boa figura, a todos agradava com o seu sorriso e o seu charme da mistura de sangue inglês da mãe e de francês do pai. Uma mistura que assentava muito bem no nosso querido Michael, com uma loucura saudável só digna de um génio como ele.
Tão vincada e forte foi a sua personalidade que ainda hoje, não nos habituamos à sua perda.
Às vezes dá-nos a sensação de que foi fazer uma viagem e que vem daqui a um bocado...
Ainda estamos à espera dele...
Não resisto em contar um pequeno episódio que se passou há largos anos numa fábrica da zona industrial de Ílhavo que o Dr. Mário Soares, na altura Presidente da República veio inaugurar, precisamente a 12 de Julho de 1986. Lembro-me dele ter chegado à fábrica de helicóptero.
Para a inauguração preparei uma exposição com cerca de 30 telas sobre o poeta Fernando Pessoa que se intitulava "Retratos polémicos do Fernando imagens do impossível", com os títulos dos quadros, tais como: "Ventríloquo", um menino ao colo de Pessoa; "Fernando, o definitivo encontro", o mostrengo atacando o homem do leme; "Heterónimo secreto"; "O outro lado do Fernando"; "O meu outro eu", Fernando Pessoa vestido de travesti e com ligas pretas; "Fernando ao espelho", Fernando Pessoa de frente a um espelho com uma estola ao pescoço, entre outros quadros.
Obras que o Dr. Mário Soares apreciou com muita calma, uma a uma, comigo como cicerone, seguido pelo pintor, pelo Presidente da fábrica e por um larguíssimo leque de convidados.
Culto e conhecedor como é de artes plásticas, Mário Soares que tinha chegado à urna semana de Londres de uma visita ao atelier da pintora Paula Rego, perguntava por onde tinha andado tal pintor que não o conhecia, mas que tinha urna obra tão boa, tão interessante e com tanta qualidade?
Michael respondeu: tenho andado por aí a pintar. Agora estou aqui em Aveiro há uns meses a preparar esta exposição dos Pessoas. Continuamos a visita com grande dignidade e muito interesse de ambas as partes.
Mário Soares chegou mesmo a interessar-se por uma obra, precisamente "O meu outro eu". Fez uma boa referência a ela criticando-a positivamente pelo arrojo que o artista teve ao criar tal obra, mostrando-se interessado em ficar com ela.
Eu, nessa altura, dei uma cotovelada ao Barrett e disse-lhe: oferece-lha. Imediatamente o Michael diz-me ao ouvido: ele que a compre que é muito rico!
E lá seguimos adiante, com este aperitivo da exposição, para o almoço que a fábrica ofereceu aos seus convidados onde estavam figuras públicas, camarárias, políticos, governantes, entidades oficiais, religiosas e civis, empregados fabris e muitos convidados. Após um belíssimo almoço muito bem servido e muito bem regado, o Presidente da fábrica veio ter comigo para levar o pintor ao Dr. Mário Soares pois, este gostaria de conversar um bocado com ele. Lá fui eu, eufórico e nervoso, a correr desencantar o Michael que estava já a digerir o belo almoço com que se banqueteou.
Olha, o Mário Soares quer falar contigo!
O que é que ele quer? Se calhar quer comprar-me o quadro!
Mas, não era nada disso. Simplesmente Mário Soares como uma grande personalidade da cultura portuguesa, queria rnais uma vez dar os parabéns ao pintor pela magnífica exposição que tinha visto.
Após alguns minutos de conversa, com Mário Soares sentado e Michael de pé, diz-lhe aquele:
Gostava muito de o convidar a visitar a minha colecção de arte! Ao que Michael ingenuamente retorquiu: Agora não posso estou em Aveiro sabes?
Pode ser um dia qualquer, quando tiveres tempo, diz-lhe Mário Soares.
É pá, olha, também não posso porque ando sempre teso e também não sei lá ir à tua casa!
Não faz mal, eu mando o meu motorista buscar-te.
Assim já pode ser. E tu, tens muitos quadros?
Nesta altura, Mário Soares levanta-se e inteligente como é, e vendo que estava diante de uma personagem muito especial, também o tratou por tu e disse-lhe:
Dá-me o teu telefone que depois eu ligo-te.
Mário Soares, rindo-se e bem disposto, deu-lhe o braço  e lá foram os dois pela fábrica fora...
De braços dados e a conversarem como dois velhos amigos!
Michael Barrett foi um dos meus melhores amigos. E foi-o durante muitos anos, precisamente três décadas. Há irmãos que não se dão tão bem!
Se tivemos zangas? Se nos chateamos muitas vezes? Tantas e tantas que até lhe perdi a conta. Mas, tudo voltava ao normal passado uns tempos. A verdadeira amizade prevalece com o perdão mútuo. Com o amor fraterno que nasce destas longas e sãs amizades!
Mas Michael não morreu...
Simplesmente arrumou a paleta e os pincéis.
Micahel Barrett iniciou a sua longa viagem, a viagem da eternidade...

José Sacramento
Galerista e Marchand, Abril, 2009

"Mulher Sentada"

18-02-1968/ Aguarela s/cartão/ 60x43cm

"Retrato de Teresa Barrett"

25-02-1968/ Aguarela s/cartão/ 60x42cm

"Família Barrett"

1966/ Óleo s/tela/ 42x62cm

"Poesia na Praia de Buarcos"

Agosto de 1993/ Acrílico s/tela/ 54x65cm


As embarcações, principalmente as da pesca artesanal, têm sempre cores fortes, cores que sobressaem muito do azul do mar e do céu. Também nos trajes dos pescadores se notam cores muito vivas e, Barrett sabia representar isso muito bem!

(...) Assim como nos trajes das varinas, daquele negro que dá o ar de tragédia, como as mulheres dos pescadores que quando enviúvam, é para toda a vida que trazem o seu sinal de luto. O Michael Barrett soube-o expressar com muita alma e sentimento.

Duarte Silva
Presidente da Câmara da Figueira da Foz

sábado, 3 de março de 2018

Pintura


BARRETT

... SOUBE, DESDE O COMEÇO, QUE BARRETT ERA UM GRANDE ARTISTA PLÁSTICO, UM MAGO DAS TAIS IMAGENS QUE PRODUZIA COMO QUEM RESPIRA, SOFRE, CHORA OU RI...

Estas palavras, saídas da pena do crítico de Arte Edgardo Xavier, sintetizam quase tudo quanto me ficou do meu saudoso amigo Michael. Dei-me agora mesmo a tratá-lo de amigo. A palavra saiu assim de sopete, de forma irresistível, como que a garantir sentimento que se me ficou bem guardado cá dentro, como fruto dos curtos convívios que com o pintor mantive, as mais das vezes em inaugurações de exposições dele ou de colegas.
Era um prazer falar com ele. As suas palavras eram como as suas tintas. Com pouco dizia muito. O colorido, desde o soturno da sua tristeza interior até à alacridade que conseguia soltar do seu sorriso sofrido, traduzia, mais que tudo, estados de alma.
Ao ouvi-lo, no discorrer da conversa, ia-se vendo, melhor, descobrindo a sua pintura. As suas palavras eram a antecâmara da sua arte. Exímio no registo da figuração humana, em sínteses admiráveis que, na sua aparente simplicidade, nos davam todo um mundo de vivências com fortíssimo recorte social. Exímio no agarrar das paisagens, as que conheço quase todas à borda de água, desde Cascais da sua meninice, passando pela Figueira da Foz até à minha terra de água que é Aveiro.
O arquitecto Gil da Graça, primeiro responsável pela instalação do veneno que veio a exacerbar a precoce paixão de Michael pelas coisas das artes plásticas, dizia deste, na frescura dos seus anos, que lhe careciam "jeitos" para o desenho. Mas adivinhava nele um incomensurável talento pictórico. E nessa convicção, ofereceu-lhe os primeiros pincéis, as primeiras tintas, os primeiros papéis e telas. E esse vírus desencantou maleita que nunca mais abandonou o artista. Guardo em minha casa um pequeno quadro do Michael. Com o pincel prenhe de preto alinhavou umas quantas figuras de homens da praia de São Roque, ali para os lados da ponte de Carcavelos. Olhando para o desenho (que o é de maravilha!) descobrem-se nessas pessoas as atitudes de quem está a mais em terra firme. A cor, neste quadro nada exuberante, garante-lhe em subtis tons azulíneos, o sabor a sal. Nesse pequeno trabalho ficou garantido um Aveiro que já não há. O que mais admiro em Michael é essa mesmo sua capacidade de agarrar em qualquer coisa, objecto, pessoa, paisagem, e transmudá-la num mundo para que somos convidados a viver, a querer partilhar. 'É uma porta que se nos abre para também entrarmos no universo do artista, passando a dele fazer parte integrante.
Passo ao longo do dia muitas vezes por este quadro dos homens da minha beira-mar. E ao olhá-lo, nunca deixo de lá me ver a falar com Barrett. No meio da sua pintura. Tenho a certeza de que ele fica feliz por eu continuar a manter uma interminável conversa com a sua obra...

Gaspar Albino
Pintor e Crítico de Arte, Março, 2009

Pintura


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

I LOVE YOU ALL

1998/ Acrílico s/tela/ 60x50cm

I Love You All

Pintura após, morte de Louise, esta tela é uma retrospectiva da vida em comum e, também, uma declaração de amor. Ambos se encontram ali representados, vestidos de gala para uma pessoa que deixou de existir, de gala para celebrar a passagem, a complementaridade e a mudança. A harmonia dos opostos (branco e preto), homem e mulher, eu e tu, a vida como evocação e a morte opaca, inexorável e presente.

Autor desconhecido

É MAIS FÁCIL SER COMO TODA A GENTE, MAS…

MICHAEL BARRETT
1926-2O04

É MAIS FÁCIL SER COMO TODA A GENTE, MAS…

É mais fácil ser como toda a gente, mas é impossível abdicar dos dons que tantos, em vão, desejam. Também foi por isso que Michael Barrett tão depressa voou, como nos sonhos, como se esborrachou na rigidez da incompreensão. A diferença exalta-se, sempre que os conceitos se põem em confronto. Valores, aspirações e objectivos são, necessariamente, outros para o artista que, usualmente, não se pauta pelas normas indiscutíveis para os demais elementos da sociedade. Também não é comum defender, como mais válida, a sua forma de estar no mundo. Limitando-se a aceitar a peculiaridade do seu pensamento, nem por isso o impunha a terceiros. A margem do que muitos entendem como importante, o operador estético ocupa, sempre, o centro de um mundo pessoal.
Presumo que tenha sido através de Bonnie o contacto mais estreito com Fernando Pessoa. A semelhança do que aconteceu com milhares de outros leitores, Michael Barrett deixou-se fascinar pelo romantismo do autor de "a Mensagem", pelos seus heterónimos, pela sua capacidade de ser e estar em muitos lugares a fazer coisas diferentes. A ubiquidade do poeta traduzida pela facilidade com que, ao mudar de pele, também mudava de pensamentos, formação, aspirações e vontades, encantava o Pintor. Acresce que a língua inglesa que ambos dominavam e o facto de se rever em Alberto Caeiro e ter em Álvaro de Campos e Ricardo Reis veículos para deliciosas divagações, conquistam Mike para a pintura exaustiva dos rostos de Pessoa.
Os primeiros trabalhos mostram o modelo com as suas principais características, isto é, o típico bigode, os óculos à época, o sabido chapéu. Poucos traços e raras pinceladas certeiras e eis que Fernando Pessoa emergia nas telas de Barrett. Em todo o caso sem grandes rasgos ou sem inovações marcantes. Muitos outros autores, depois de Almada, já se haviam dedicado a retratar, de cor, o poeta. Mais gordo ou mais magro, mas sempre apelando para os elementos que, mesmo com grande inépcia, acabam por evocar-lhe o rosto carismático.

in Michael Barrett - Um Génio Marginal
do autor Edgardo Xavier
membro da AICA
edição da Galeria Sacramento

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

O PINTOR EXPRESSIONISTA

MICHAEL BARKETT
1926-2004

O PINTOR EXPRESSIONISTA


Conhecemos, nas nossas lides artísticas, há alguns anos, o artista Michael Barrett. Dialogámos, vezes sem conta, quando nos encontrávamos nas tertúlias culturais, nas exposições de arte, nos encontros de amigos. O tema que estruturava a conversa, era, naturalmente, as artes plásticas. E, foi sempre um tema inacabado, porque a arte não se esgota, antes se cria e recria em todos os momentos de criatividade dos artistas.
Por isso, a arte de Barrett identificou-o e perpetuou-o.
A exposição presente na Casa Municipal da Cultura, por iniciativa do Departamento Cultural da Autarquia, pretende e objectiva delinear um percurso e homenagear o seu autor. É uma exposição retrospectiva, logo concorre para provocar reflexão e aferir da herança artística deixada pelo pintor. Retrospectiva que implica meditação sobre a obra em presença e análise do caminho percorrido peio artista, suas implicações, suas características, qual a dimensão estética, social, técnica, cultural, pedagógica e crítica nela inserta.
Michael Barrett apropriou-se, na generalidade, da figura humana, como suporte efectivo da sua imaginação. Os seus trabalhos expressam fulgurância, movimento, cromatismo atraente, apuramento técnico de muitos anos de experiência e de estudo profundo e constante. As suas obras desenham um festival de cor e de criatividade, numa apoteose às artes plásticas, expressamente à pintura.
A sua pintura identifica um artista conhecedor da gramática pictórica, do quotidiano da vida, da sociedade em que se movimentou. Interiorizando o mundo que observava, transportou esse olhar penetrante para o seu "ego", elaborando planos, construindo projectos e divulgando mensagens plenas de beleza e racionalidade, materializadas nas composições maravilhosas que honram, hoje, a sua memória.
Em todos os momentos pintados, que são autênticos monumentos artísticos, Barrett exprime uma força incontrolável, responsabilizando valores e consolidando uma fecunda imaginação criadora. Há a acutilância da pesquisa, porque a expressividade demonstrada na sua obra, informa da alegria do acto criativo e da subtileza intelectual que se projectam na vivência da superfície pintada.
Neste entendimento, penso que a retrospectiva/homenagem a Barrett perfila uma atitude de justiça e proclama, aos quatro ventos, a assunção de um artista que se assumiu, ao longo da sua carreira, como pintor expressionista.

Coimbra, 9 de Outubro de 2004
Mário Nunes

Vereador da Cultura

Pintura Anos 90